Cosméticos naturais: uma tendência ou uma necessidade emergente?

Se você vem buscando um estilo de vida mais saudável, optando por hábitos e produtos que te conferem maior bem-estar, Parabéns! Seja bem-vindo ao grupo de pessoas que estão conscientes de todos os riscos aos quais estamos submetidos na sociedade atual e seguem remando contra a maré.

É importante destacar que essa “remada” está vencendo a maré pois o número de pessoas adeptas a esses hábitos vem crescendo muito e, com isso, a indústria teve que se moldar as exigências de seus consumidores.

É devido a isso que respondo a pergunto do título, com propriedade, cosmético natural não é apenas uma tendência. Cosmético natural é uma necessidade percebida por cientistas e, depois, por consumidores que achou no mercado um lugar de tendência. E somos gratos por isso!

Por que devemos ser gratos? Dentre milhões de formas de responder a essa pergunta, podemos citar que somos gratos pela saída gradual dos microplásticos das prateleiras (microesferas plásticas utilizadas para esfoliação da pele). Consequência? Produtos com mais ftalatos (uma das classes de moléculas químicas responsáveis por alterações hormonais), peixes ingerindo microesferas plásticas e morrendo asfixiados, peixes submetidos a ação dos ftalatos que agrava o problema de feminilização dos peixes (ah, mas é só um sabonetinho né?!).

Um segundo exemplo, somos gratos pela redução de detergentes sintéticos. Cansei de ver produtos com mais de seis tipos de detergentes diferentes. Por que tudo isso? Porque cada um deles faz um tipo de espuma diferente. E o consumidor gente?! Ah o consumidor gosta mesmo dessa espuma, de fazer bolinhas de sabão para o corpo todo durante o banho, gosta de ver a louça borbulhar em meio a espuma e subir bolinhas de sabão pelo ar. Gosta da pasta de dente que faz aquela espuma branca. E sabe o que mais o consumidor gosta? De ver a recomendação no rótulo do xampu escrito: aplique duas vezes. Só que esses seis (ou mais) tipos de detergentes que estão no xampu, na pasta de dente, no sabonete facial, sabonete íntimo, sabonete líquido, sabão em pó, detergente (e vamos buscando mais origens) eles acabam nos rios da cidade e lá eles também fazem muita espuma. Tanta espuma que impede a entrada de luz nos rios que impede a fotossíntese e, em casos mais graves, geram eutrofização. (ahhhh sem contar os efeitos na pele, mas isso é tema para outra reportagem!)

Último exemplo, mas que fique claro que essa lista é grande, triclosan. Ah gente, essa substância é uma das minhas preferidas entre as citadas para desserviço à saúde do planeta e da humanidade. Um sabonetinho antimicrobiano na prateleira do mercado com triclosan. Por que consumir isso? Se a gente sabe que a simples água e sabão levam os microrganismos embora ou rompem a membrana celular inativando-os. Ah para dar mais uma dermatite ou reação cutânea, essa deve ser a resposta.

O tom de ironia gera uma constatação impactante e é uma crítica forma de desenvolvimento de produtos cosméticos no período pós revolução industrial. Sim, estamos desde sempre submetidos à riscos, mas a infinidade de marcas e produtos nas últimas décadas também agravou o risco oriundo dessas composições cosméticas. Então, ao ver marcas novas alavancando no mercado pela veracidade e clareza dos rótulos quando afirmam: composição Natural, às vezes até orgânicos, eu penso: “virou tendência, mas que tendência necessária!”

Camila Nascimento Giongo
Doutora em Química Orgânica
Fundadora da Arcanum

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