Apneia obstrutiva do sono X Ortodontia

Para que você leitor possa entender esta relação, eu vou explicar como a ortodontia trata pacientes adultos.

Nos pacientes adultos, a ortodontia atua de duas formas, basicamente falando: Nós podemos movimentar os dentes apenas, ou necessitar modificação nas estruturas ósseas da face (maxila e mandíbula), quando estas estruturas não estão com suas relações adequadas (Prognatismo, retrognatismo, mordida aberta, assimetrias, sorriso gengival por excesso vertical da maxila). Estas modificações demandam a atuação de outra especialidade da odontologia, que é a cirurgia ortognática.

A cirurgia ortognática, coloca as estruturas ósseas nas posições adequadas para que a ortodontia possa encaixar os dentes de forma correta. Em casos onde estas diferenças são pequenas e o paciente não tem uma queixa da face, nós ortodontistas podemos “forçar” os dentes a se encaixarem, porém temos limitações para isso.

As movimentações dentárias são feitas por meio do aparelho colado aos dentes e o emprego de elásticos e âncoras colocadas estrategicamente.

Elásticos
Âncoras (miniplacas)

Com a surgimento das ancoragens (miniplacas e parafusos de ancoragem), a necessidade de se fazer cirurgia ortognática diminuiu. Estas ancoragens nos permitem realizar movimentos que eram impossíveis na ortodontia convencional, onde se emprega o aparelho juntamente com elásticos somente e se utilizam as extrações de dentes para criar espaços. Com as ancoragens diminuímos também a necessidade de extrair dentes para criar estes espaços.

Bom, mas o que tudo isso tem a ver com o título da matéria?

A ortodontia é uma especialidade que demanda um conhecimento muito amplo da face, e não somente dos dentes, por que os dentes se relacionam com os óssos, com as articulações da boca e com as estruturas adjacentes de forma geral e é aqui que entra a nossa abordagem relacionada as apnéias.

A apneia do sono é caracterizada por ruídos e interrupções na respiração que se repetem, no mínimo, cinco vezes num período de 60 minutos. Não se trata de um simples ronco. Na apneia, a barulheira noturna é entrecortada por engasgos. Essas pequenas pausas na entrada de ar diminuem a concentração de oxigênio no sangue.

A redução de oxigênio superestimula o sistema nervoso, que eleva o ritmo dos batimentos cardíacos e provoca a contração dos vasos sanguíneos. Daí o fato da apneia do sono ser considerado um fator de risco para pressão alta e arritmia cardíaca. Além disso, o quadro favorece o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina (hormônio que permite à glicose entrar nas células e gerar energia), condições que contribuem para o surgimento do diabete tipo 2.

Sinais e sintomas

– Ronco

– Respiração ofegante

– Sensação de sufocamento ao dormir

– Sono agitado

– Sonolência ao longo do dia

– Dificuldade de concentração

– Dor de cabeça matinal

Fatores de risco

– Excesso de peso

– Maxilar inferior/e ou superior encurtado, o que empurra a língua muito para trás, obs-

   truíndo a garganta    

– Tabagismo

– Álcool em excesso

– Uso exagerado ou equivocado de sedativos

– Aumento das amígdalas e adenoides

– Dormir de barriga para cima

– Tumores

Segundo alguns estudos, 85% dos pacientes que apresentam apnéia obstrutiva do sono, não fazem idéia que apresentam esta patologia. E aqui entra a nossa contribuição para o diagnóstico e tratamento.

Infelizmente muitos profissionais ainda utilizam exames bidimensionais, os quais impossibilitam a análise precisa dos espaços aéreos. Esta imagem abaixo, está relacionada a avaliação das vias aéreas e compõe parte das imagens presentes em um dos protocolos de imagens 3D para a ortodontia. Em verde se observa o volume de ar que passa pela traquéia. Esse volume é medido, para ser comparado aos casos onde o paciente se submete a cirurgia de avanço maxilar (Fig 2. Note a diferença visível de volume da traquéia de um paciente que se submeteu a uma cirurgia de avanço bimaxilar.

“Só o que é visto pode ser diagnosticado”

Esta frase norteia o diagnóstico feito por meio das tomografias, o que mudou completamente o entendimento dos problemas ortodônticos e suas relações com a face. E aqui entra o diagnóstico das apnéias, que não pode ser visto nos exames convencionais de radiografias e levam os profissionais a oferecer um tratamento de maxilares encurtados, sem o emprego da cirurgia ortognática, muitas vezes diminuindo mais ainda o espaço para a língua, o que pode piorar o quadro de apnéia.

A confirmação e a análise da gravidade do distúrbio são feitas por meio de um exame chamado polissonografia (área médica). E por meio do protocolo de exame em tomografia podemos detectar o volume de ar que passa pela traquéia, o que já está documentado em artigos científicos, que quando o paciente se submete a cirurgia de avanço dos maxilares ocorre melhora na passagem de ar e, portanto, podemos ser coadjuvantes no tratamento das apnéias obstrutivas do sono. Se você tem algum dos fatores de risco para apnéia, e apresenta maxilares encurtados, faça exame de polissonografia e procure um profissional ortodontista  que domine imagens 3D para avaliar o seu caso e propor o tratamento mais adequado, visto que as apnéias são uma importante patologia que comprometem o bem estar e podem encurtar a expectativa de vida.

André Zambonato
Mestre em Ortodontia

http://www.andrezambonato.com

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