A importância do fazer nada

Há quanto tempo você não se dá o direito de fazer nada? Os italianos possuem uma expressão para isso: Dolce far niente e fazer nada é tão ou mais importante quanto produzir.

Atualmente o limite entre o trabalho e o repouso esta cada vez mais tênue. Aparentemente, não conseguimos parar. Com o advento da internet e das redes sociais, WhatsApp, Telegram, Skype, Messenger, etc., não conseguimos nos desligar, simplesmente não conseguimos. Precisamos entender que “o repouso e o trabalho devem ser tratados de forma igual” (Pang, 2017).

Descansar recarrega nossas baterias mentais e físicas que são drenadas pelo trabalho. Porém na atualidade, não levamos a sério o descanso e não descansamos o suficiente. Vemos o repouso como algo negativo, improdutivo, uma perda de tempo. Descansar é muito mais do que isso e nos torna criativos, produtivos, mais saudáveis além de aumentar a nossa capacidade de concentração.

Se olharmos a nossa volta, teremos alguns exemplos que demonstram que as pessoas realmente criativas e produtivas possuem uma atitude completamente diferente frente ao descanso. O repouso possui um papel essencial na vida de algumas das mais criativas e profílicas pessoas da História, a exemplo de Charles Darwin, o autor Stephen King e tantos outros. Nenhum deles descreve trabalhar mais do que quatro a cinco horas por dia e faziam muitas coisas que deram espaço ao seu subconsciente criativo para trabalhar em problemas que haviam eludido o seu esforço consciente.

Praticar a inutilidade é algo que pode ser muito útil e contribui para o nosso bem-estar. Dez minutos sem culpa, sem correria, dedicados a nós e a não fazer nada são, sem dúvida, o maior investimento que podem os fazer em (e por) nós.

Estamos rodeados por exigências que vêm de todos os lados – filhos, trabalho, casa, marido, esposa – e parar, muitas vezes, é acompanhado por um sentimento de culpa, como se não tivéssemos direito a isso. Há uma exigência constante para a produtividade, para o fazer em detrimentos ao estar. Lembre-se: Nós também nos esgotamos e ter períodos de descanso, horários de trabalho intensivo intercalados com períodos de relaxamento, fazer sestas e dormir, promovem a criatividade e a resiliência.

Comece a levar descanso a sério o suficiente para tirar tempo para ele. Não pode ser uma coisa que tem depois de acabar tudo o resto; planeje-o. O melhor descanso é aquele que nos absorve o suficiente para não pensarmos no trabalho. Exatamente, descansar não tem nada a ver com não fazer nada. Hobbies são ótimos para desligar, quebrar rotinas, nos divertimos e nos encontramos conosco mesmos. Descanso não se consegue apenas parando, mas sim mudando de foco.

Durma. O sono não é importante somente para a consolidação da memória, mas também para a reorganização celular. É nesse momento que os neurônios fazem “a limpeza celular” da atividade diárias. A baixa atividade sináptica proporcionada pelo sono é crucial. Sua qualidade também. Precisamos passar por todos os estágios do sono e entrar no mais profundo para descansarmos.

Não esqueça da sesta. Antigamente, sestiar após o almoço era algo normal do dia a dia, mas esse hábito foi abandonado. Pequenas sestas são mais restaurativas do que o café ou outros estimulantes e potencializam a oportunidade do cérebro consolidar coisas que aprendeu recentemente.

E ai, vamos fazer nada?

Cinthya R. Alba Rech
ENFERMEIRA PALIATIVISTA
COREN PR 104793

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