O valor do conhecimento

MUITOS PROFISSIONAIS NÃO SABEM CALCULAR O CUSTO DO SEU SERVIÇO

Uma profissão para se tornar digna, reconhecida por sua importância social, respeitada pela sociedade, necessita que os profissionais, que dela fazem parte, a valorizem. Para isso, é necessário que os profissionais estejam motivados. A motivação faz com que os profissionais queiram melhorar, não somente sua renda pessoal, mas também a relevância que o seu serviço tem para uma sociedade.

Compreender a importância do seu trabalho é um passo crucial para os profissionais estarem motivados. Se não tem bons motivos, deixam de investir, de estudar, de melhorar e acabam compensando isso, com a desvalorização, primeiramente, em relação aos honorários. Ao baixar seu preço, normalmente baixa junto o seu valor. Quem baixa o valor, trabalha na mediocridade, ou seja, pratica o” mais ou menos”.

O excesso de profissionais dentro de uma sociedade invariavelmente leva muitos a optarem pela mediocridade, ou seja, na tentativa de manter um bom volume de clientes, baixam consideravelmente o seu valor. Com isso, podem captar um volume grande de clientes, que acaba gerando excesso de trabalho e pouco lucro. Muitos acabam por fazer mais de uma especialidade para compensar a falta de rendimento com sua especialidade de escolha, ou seja, sempre estão correndo atrás de motivação para ter uma vida melhor. Muitos novos profissionais que chegam ao mercado de trabalho, usam os profissionais medíocres como parâmetro e a profissão vai ficando cada vez mais desvalorizada.

Como resultado disso tudo temos cada vez mais clientes/pacientes insatisfeitos, que necessitam retratamentos ou retrabalhos. Quanto mais profissionais praticando a mediocridade, mais desvalorizada fica uma profissão.

As faculdades não preparam os profissionais para o mercado de trabalho. Dão o conhecimento científico (cada vez mais precário), mas não preparam o profissional para se portar profissionalmente. 

Assim, vemos as seguintes situações:

– Um dentista, leva de 4 a 5 anos de formação acadêmica, mais 2 anos e meio em média para ser especialista em uma determinada área. A grande maioria não cobra pela consulta inicial.

– Um técnico em eletrônica, 2 anos de curso técnico. Cobra 50 reais para fazer uma avaliação.

– Um prestador se serviço para desentupir cano. Aprende na prática. Valor para uma avaliação sem garantir que vai resolver o problema, 150 reais, se resolver paga mais 50 reais. Em alguns casos faz o seu trabalho em 5 minutos.

Claro que esses valores variam de uma sociedade para outra, por isso estou usando referências vividas por mim, aqui em nossa cidade.

Um técnico ou alguém que aprendeu na prática, gastou tempo e dinheiro para ter conhecimento, além disso os profissionais tem custos de manutenção do seu negócio, como espaço físico, aluguel, condomínio, pessoal auxiliar, equipamentos, telefone, água, luz, impostos, cursos de atualização, etc, porém, muitos não sabem calcular o seu custo fixo por hora.

As pessoas deveriam ter seus problemas resolvidos ao procurar um especialista. Porém, a desvalorização por parte dos próprios profissionais, faz com que cada vez mais os serviços oferecidos sejam de péssima qualidade, e assim   trazem cada vez mais prejuízos e incômodos a quem os requisita.

Se, por um lado, o profissional não sabe precificar seu serviço, por outro lado, o cliente, com o aumento crescente de profissionais medíocres, perde a referência do valor justo de um serviço. Assim quando um excelente profissional cobra por sua resolução, este muitas vezes é taxado como um profissional caro.

Quem sabe o valor que entrega e conhece o benefício que gera, atribui um preço justo ao seu trabalho.

E você, qual valor dá ao conhecimento? Como você escolhe um profissional? Pelo preço, ou por sua capacidade de resolver problemas?

https://www.instagram.com/andrezambonato/

André Zambonato
MESTRE ORTODONTISTA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.